Com presença anunciada do português João Almeida (UAE Emirates), a terceira e última Grande Volta do calendário velocipédico anual mantém o perfil montanhoso e percorrerá estradas de quatro países em 21 etapas, com o Principiado a acolher o terceiro arranque consecutivo fora de Espanha, depois de Lisboa, em 2024, e de Turim, em Itália, em 2025.
Um contrarrelógio individual de nove quilómetros entre o Casino de Monte Carlo e a meta do circuito automobilístico monegasco resume a inédita travessia da Vuelta pelo Mónaco - já foi palco das largadas das Voltas a Itália e a França em 1966 e 2009, respetivamente -, antes de o pelotão rumar a França, onde a terceira etapa traz a primeira chegada em alto.
Segue-se uma tirada exclusiva em Andorra, que está integrada no percurso da prova pela 25.ª vez e que integra três subidas de primeira categoria e uma de terceira, precedendo a entrada em Espanha, focada nas comunidades catalã e valenciana até ao fim da primeira semana, com outros dois finais em altitude, em Aramón Valdelinares e no Alto de Aitana.
O percurso prossegue sempre junto à costa mediterrânica e, já depois do primeiro dia de descanso, estabelece-se na Andaluzia, evidenciando uma segunda semana montanhosa com contagens de primeira categoria nas metas de Calar Alto e da Sierra de La Pandera.
Cumprido o segundo dia de pausa, a Volta a Espanha oferece trajetos planos no começo da semana final e tem um contrarrelógio individual de 32,5 quilómetros na 18.ª tirada, de El Puerto de Santa María a Jerez de la Frontera, com as decisões acerca do sucessor do dinamarquês Jonas Vingegaard no palmarés a intensificarem-se nos dois dias seguintes.
A 19.ª etapa terminará nas Peñas Blancas, de categoria um, enquanto a 20.ª e penúltima integra cinco subidas - três de primeira categoria - e excede os 5.000 metros de altimetria acumulada, até ao debutante Collado del Alguacil, onde há uma subida especial de oito quilómetros, com 9,8% de inclinação média, por entre o calor do fim do verão na Europa.
Ultrapassada a Serra Nevada, as três semanas de prova fecham junto à Alhambra, uma atração turística de Granada, que será a oitava cidade a coroar o vencedor da camisola vermelha, para suceder a Madrid, sede da consagração em 55 das 80 edições passadas, incluindo nos últimos quatro anos - Bilbau (13 vezes), San Sebastián (seis), Santiago de Compostela (três), Miranda de Ebro (um), Salamanca (um) e Jerez (um) foram as outras.
Mais de 58.000 metros de altimetria acumulada traçam uma das edições mais duras da história da Vuelta, que, ao atravessar as oito províncias da Andaluzia - ficou ausente do percurso de 2025 -, não vai à zona norte da Península Ibérica nem à capital espanhola.
“Será uma edição com um caráter distintamente mediterrâneo. O Mónaco marcará uma partida prestigiosa para uma edição que visita cidades históricas, montanhas que fazem parte da nossa história e subidas inéditas, antes de terminar num espaço único como a Alhambra, a fortaleza de Granada”, disse Javier Guillén, diretor-geral da prova, convicto em atrair os melhores trepadores devido a um dos trajetos “mais exigentes de sempre”.
Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) conquistou a Volta a Espanha em 2025, numa edição em que algumas chegadas foram anuladas, incluindo a de coroação em Madrid, face à presença massiva de manifestantes pró-palestinos nas metas, onde protestavam contra a situação em Gaza e a presença da equipa Israel-Premier Tech na competição.
Ao triunfar na Vuelta pela primeira vez, o dinamarquês relegou para a segunda posição João Almeida, que estará na edição de 2026 - a primeira a não terminar em Madrid ou Santiago de Compostela em quatro décadas - e também alinhará no Giro de Itália, em maio, à procura de ser o primeiro português a conquistar uma das três Grandes Voltas.
